quinta-feira, 8 de abril de 2021

Se eu soubesse que aquele seria o primeiro dessa coleção.
Não adiaria.
Não tentaria acreditar que poderia haver algo melhor, que tudo era apenas momentâneo. Que havia muito de positivo para viver.

Se eu soubesse que este sentimento seria uma parte imutável da vida, não voltaria atrás. Não pensaria duas vezes. Não pagaria pra ver.

No fundo são apenas blefes amargurados, que precisamos soltar. Pois em algum momento, aquele fio foi rompido novamente. A porta foi aberta. E o pensamento atordoante de insignificância existencial percorre cada neurônio. Que automaticamente é fadado à transmissão desta mesma mensagem à cada extremidade do corpo, que repentinamente reluta estar ali.

Não somos capazes de suportar sentir. Mascaramos tudo por muito tempo. Seja para evitar, seja para não se entregar. Já se perguntou o quanto você já sentiu? Qual foi o seu máximo de exposição à dor ou à felicidade? 

É o quanto você já se permitiu não se poupar para poder viver.

A realidade é que se pudéssemos, mudaríamos tudo. Cada segundo de vida. Retiraríamos cada quina quebradora de dedinho e também as paredes que nos cercam. Seríamos livres. 

Demoramos muito para poder notar que o ciclo nunca consiste em evolução, mas em estabilidade. A evolução é cotada para poucos. Quantos anos levei para me dar conta que infelizmente, essa é a vida. Cada um pega um caminho e se aprisiona a caminhar nele até o fim.

Autorretrato

Um quadro esboçado
Com meus traços ilustrado
Largada ao meu modo
Jaz minha silhueta apoiada
Numa cerca de mogno
Na boca, uma palha mastigada

Tudo o que escolhi, vivi
Tudo o que sei, aprendi
Onde errei, sofri
Quem magoei, perdi

Nada resta, só a mim
Só soube encerrar ao destruir
Pois com vestígios de qualquer esperança
Estive inquieta até para dormir

O tanto que senti
Quão mesmo me arrependi
Competem entre si
Sobre qual vai mais me ferir

Assim me reconheço
Quando ao nada contemplo
Num futuro não tão distante
Até posso palpar
Minha face cansada
Que reflete o coração incapaz de amar

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Indefinido

Não precisa nomear
Criar regras não vai mudar
O que foi ou o que será
Nenhum padrão definirá

Todo dia os meus erros refletem consequências
Eu sou um acúmulo de amor ódio e impaciência
Como posso definir algo na vinha vida
Se por dentro sou caos entre paz e agonias
Quando ouço a voz que se declara a mim
Não sei explicar por que não me sinto assim
Talvez no fim, mas o futuro não conheço
Me alimento do presente mesmo pagando o preço

Já fugiu sem esperar abrigo
Ou tem medo do desconhecido
Qual tua verdade, qual tua história
Sem ela nada vale qualquer glória

Eu não sei do fim qual é
Mas se for pra ser já é
Eu não sei do fim qual é
Mas encaro com a minha fé

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Dos lábios de um jovem
Ouvi a expressão
Saída do fundo do peito
Puro, sincero
Coberto de razão

"Ela é como o centro do mundo
Só consigo enxergá-la, mesmo em meio a multidão"

É que os olhos percorrem todos os rostos
Corpos se atraem e satisfazem os gostos

Te disse que a mente nao pára
Mas sabe que meu coração não se cala
E quando ouvi 'se afasta'
Me desafiei a da cabeça tirá-la

Em conversas me entrego
Ao mundo
À tudo e à todos

Estudo pessoas
Lugares e corpos

Aberta ao destino
Topo qualquer rolo

Encontro amigos
Carinho e consolo

Vago pelas ruas
Ultrapasso os dias
E as noites eu corro

Mas no silêncio me pego
Contando os segundos
Pra te ter de novo

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Eu não sei ao certo onde foi
Mas eu me perdi

Pensando bem, foi nos teus lábios
No momento em que você virou pra mim e seus olhos mergulharam nos meus
Encontrei a mim

Nunca mais parti

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

 Eu me lembro muito bem daquele dia, há oito anos atrás. O telefone parece que ainda toca aos meus ouvidos. Uma chamada às 10 da noite, quem seria? Minha mãe foi atender e logo passou ao meu pai. Ao por o telefone no ouvido e escutar as primeiras frases do meu tio, ele teve que sair de nossa presença. Eu quis ir atrás, mas minha mãe me impediu me pegando nos braços. Ela apenas me disse “a gente vai viajar pra casa da vovó” e eu me contentei com isso, ficando feliz de imediato. Lembro também de ter pensado em meu gato, eu o dei de presento ao meu avô na última vez em que havíamos ido para lá. Que saudade do meu avô, ele sempre me considerou muito por eu gosta tanto de ir no seu sítio, andar a cavalo e mexer com os animais. Eu amava isso.


Viajamos durante a noite, com mais seis tios. Na primeira parada, onde nos encontramos pessoalmente pela primeira vez, algusn choravam, outros consolavam, e eu apenas observava aquilo, junto de meu irmão e outros primos. Uma tia chegou a vir me abraçar, estava chorando muito, mas eu não sabia o por quê. Ela não sabe, ouvi minha mãe dizendo à ela. Eu não sabia mesmo.


O resto da viajem foi tranquilo, nas outras paradas meus parentes estavam melhores, não demonstravam mais sinal de tristeza. Só estavam pensativos.


Chegamos na casa de minha avó às 11 da manhã do dia seguinte. A casa estava cheia, o sítio estava com muito carros e pessoas quem eu nunca havia visto. Uma outra tia residente local veio nos receber, também estava chorando, e eu continuava sem imaginar o por quê. Quando ela se aproximou de nós minha mãe repetiu Ela não sabe, e pediu um tempo pra conversar comigo.


Minha mãe me puxou para o carro, me abraçou e perguntou se eu sabia por que estávamos lá. Eu não fazia ideia, então respondi que não. Com isso, ela me abraçou mais forte ainda e me disse, aquelas palavras que tanto doeram naquele instante, e ainda doem quando passeiam pela minha mente: Seu avô morreu.


Eu não pude chorar de imediato. Eu precisava entender o que ela estava falando. Aquilo entrava em meus ouvidos, mas não parecia ser real. Minha mãe me perguntou se eu estava bem, eu abanei a cabeça em um gesto de “sim” e ela compreendeu que eu precisava ficar sozinha. Não, eu não estava bem, tinha acabado de receber uma das piores notícias da minha vida.


Encostei na lateral do carro e olhei para o céu. Como o dia estava lindo, o sol brilhante como nunca, tudo era semrpe mais lindo no sítio do meu avô. Eu abaixei os olhos e observei a grama. Estavamos em uma boa época, as àrvores, folhas e flores, tudo estava lindo. Mas meu avô havia morrido. Foi aí que eu senti um buraco no peito, não pude segurar agora, as lágrimas vinham incontrolávelmente. Uma pessoa que eu amava tanto havia morrido. Eu perdi um pedaço de mim.


Tive um ótimo tempo sozinha para refletir. Todas as imagens que eu tinha dele passavam pela minha mente tão rápido e tão dolorosamente. Até o fim do dia eu me soltei, tentei ignorar o fato do corpo do meu avô estar lá na sala, com tanta gente observando e chorando. Eu não queria chorar em público, eu não podia desabar em público. Então fui atrás do meu gato, o achei e brinquei com ele a tarde toda, coitado, não o dei um segundo de paz. Mas hoje eu compreendo que me distrair foi a melhor coisa a fazer naquela hora.


O enterro foi à noite, toda a família estava presente. Ver o caixão descendo ao fundo da terra era horrível, mas eu suportei assistir a isso com a maior frieza possível, todos já estavam comovidos demais.


O tempo que eu passei ao lado do meu avô parece ter sido curto, mas eu o aproveitei muito. Eu amava andar de cavalo na companhia dele, amava estar com ele e tentar ajudar enquanto ele trabalhava. Até os meus 7 anos, os melhores momentos que tive foi ao lado dele. Pode parecer que não, que foi muito pouco tempo, mas ele era uma das minhas maiores alegrias quando pequena. Eu o amava muito. Ele me amava muito e demonstrava demais isso.


Até hoje eu choro quando lembro dele, tenho um vazio enorme.


Em todas as vezes que fui ao sítio, mesmo após a morte dele, me empenhei mais em aprender a lidar com os animais, eu gosto disso, e lá é o que não falta. Imagino que hoje ele poderia ter orgulho de mim.


Obrigada vô, pela pessoa que você foi pra mim e pelo exemplo que me deu. Obrigada por toda alegria que meu deu e pela paciência que teve comigo no seu pé todos os dias. Eu te amo demais, e há uma parte de você dentro de mim. Eu nunca vou te esquecer.


“Like my grandfather’s come to pass, eight years has gone so fast…”

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Young Blood

Eu perdi a conta de quantos minutos se passaram desde o primeiro em que eu disse pra mim em voz alta "se você consegue sobreviver a esse minuto, você consegue viver".
A questão não é estar inundada de tristeza ou sentimentos negativos, nem a falta da conquista, talvez eu consiga descrever isso como uma falta de vontade de viver mesmo. Eu quero estar viva, respirar, eu quero lutar, vencer, eu quero estar viva, mas eu estou quebrada e eu simplesmente não consigo. Pareço ficar a cada dia um passo atrás, eu não consigo me convencer que pertenço a realidade que eu vivo, eu não encontro meu lugar nos lugares por onde ando.
Por mais que eu respire fundo e pense "sobrevive um minuto de cada vez, logo você estará vivendo" isso não me convence. Não atinge a minha alma.
Eu acredito no que preenche meu coração, no ar que eu respiro e eu sei que eu tenho capacidade de sobreviver. Agora mesmo o aleatório me jogou uma música alegrinha, eu consigo ficar melhor e to relendo essa porcaria e me dizendo "wtf, vai dormir que amanhã você acorda cedo". Eu não sei qual é meu problema, mas...